COLABORADOR | RODRIGO LACERDA
Rinoplastia – história e curiosidades
Parte I – de 2200 A.C à queda do império romano
A preocupação dos seres humanos com relação a beleza do rosto, ao bem estar físico e
emocional, e, principalmente, a adequação ou não dos padrões estéticos de um povo vem de
longas eras. Nenhum outro órgão poderia chamar mais atenção na face do que o nariz.
Sendo assim, nessa e na próxima edição irei tecer algumas curiosidades pouco conhecidas a
respeito dessa tão fascinante cirurgia nasal: a rinoplastia.
Tudo começou há 2200 anos antes de cristo, quando foi escrito o papiro de Edwin Smith,
encontrado em 1862 na cidade de Tebas, no Egito. Nele já se referia a operações plásticas
realizadas no nariz. Encontrou-se também prescrições que revelam as preocupações do povo
naquela época, tais como: receita para embelezamento do rosto; para transformação da
pele e para transformar um velho em um moço.
Do mesmo modo, o livro de Susruta, o Ayurveda, fonte da cirurgia Ariana e compendio
científico e sagrado de 2000 anos antes de cristo, faz referencias aos Koomas (casta Hindu):
oleiros de profissão segundo uns, casta de sacerdotes segundo outros. Os Koomas
praticavam a difícil arte da reconstrução nasal. Era tradição, naquela era, amputar o nariz
dos inimigos derrotados nas batalhas. Contam os velhos textos que, na índia, o rei Ghoorka,
depois de derrotar o inimigo e ocupar as cidades, reunia todos os homens, com
exceção das crianças e músicos de instrumentos de sopro, e mandava cortar os
seus narizes.
O nariz era sempre mais visado por ser símbolo de beleza, habilidade e qualidade de caráter.
Conta-se que certos maridos ciumentos e dotados de um sentimento de honorabilidade
doentio, procuravam, preventivamente, assegurar a inviolabilidade conjugal, destruindo todo
o encanto de sua mulher. A forma de se fazer isso era agredindo o nariz. Na Inglaterra, a
própria rainha Isabel, cujo nariz de proporções generosas se tornou histórico, decretou que
se cortariam os narizes de todos que falassem mal de sua pessoa ou do seu governo. Carlos
II da Inglaterra, indignado com um gracejo ferino e inoportuno de Cowentry, mandou que
lhe cortassem o nariz.
Para a correção de certas mutilações, os hindus empregavam enxertos retirados das
nádegas. A fixação era feita com uma massa secreta de barro, argila e outros materiais.
Outras vezes, com azeite vermelho de sésamo acrescido de pós hemostáticos. A cirurgia
hindu começou a declinar na época de Buda, mais ou menos 500 antes de cristo. O próprio
Hipocrates (500 A.C), considerado o “pai da medicina”, preocupou-se com as cirurgias do
nariz. Ele receitava pomadas e unguentos, com finalidade puramente cosmética. Dizia
também, nos casos de fraturas o nariz deveria ser modelado imediatamente, se
possível. As bandagens deveriam ser feitas com elegância de maneira que se
tornassem “agradável a vista”.
E assim, durante milhares de anos, o homem lutou e vem lutando desordenadamente,
visando a correção dos narizes considerados não estéticos e não harmônicos com relação ao
restante da face. Até que, alguns anos antes do nascimento de Jesus Cristo, Aulus (Aurelius)
Cornelius Celsus marca época na historia da cirurgia nasal com seus trabalhos inovadores.
Celsus, que pode ser chamado o pai da cirurgia plástica, nasceu em Roma no tempo de
Augustus. Ele é o espelho da escola de medicina de Alexandria. No seu livro “De Re Medica”,
escrito 30 anos depois de cristo, encontramos uma segunda referencia histórica da
especialidade, sendo este o documento médico mais antigo depois dos manuscritos de
Hipócrates.
Depois de Celsus, aparece Antyllus que reproduziu algumas operações da especialidade
baseando-se muito provavelmente nos trabalhos de Celsus. Segue-se Claudius Galeno,
Nascido em Pergamo, Ásia menor, foi o maior médico grego depois de Hipócrates. A
Infabilidade das suas teorias foi sustentada por Leonardo da Vinci, Vesalius, entre outros.
A queda do império romano pela invasão bárbara que mergulhou todo o velho mundo num
estado caótico incrível vem logo após a morte de Galeno. O que se conhecia sobre cirurgias
de nariz, ate então, foi esquecido. Voltaram às penas e castigos por Bizâncio e assim,
ressurge a arte da rinoplastia.
